A princípio, Diderot parecia estar em paz. Um filósofo francês do século XVIII, conhecido por sua mente brilhante e sua vida simples. Vivia entre livros, pensamentos e objetos modestos. Até que recebeu um presente — um roupão. Não qualquer roupão, mas um luxuoso, refinado, fora de padrão. Um presente que mudou tudo.
Esse único item fez com que o mundo ao seu redor parecesse fora de lugar. O sofá? Velho. A decoração? Sem graça. A cadeira de leitura? Desgastada. Diderot, tomado por uma súbita sensação de descompasso, iniciou uma série de compras. Um móvel novo. Depois, outro. Um quadro. Tapetes. Cortinas. Um a um, os elementos da sua casa foram substituídos, não por necessidade, mas por coerência com aquele novo elemento de luxo. Nascia ali o que a psicologia do consumo chamaria de efeito Diderot — um comportamento tão atual quanto a rolagem infinita das redes sociais.

O que o efeito Diderot revela sobre seu desejo de comprar?
Sobretudo, o efeito Diderot nos mostra como a aquisição de um novo item pode lançar uma luz ou uma sombra sobre tudo que já possuímos. Em outras palavras, quando algo novo entra na nossa vida, ele eleva o padrão — e com isso, o antigo começa a parecer obsoleto. O tapete já não combina mais. O guarda-roupa exige renovação. Bem como, o celular novo pede uma capa à altura. Assim, entramos em um ciclo silencioso de insatisfação e busca.
Porém, essa cadeia de consumo raramente nasce da real necessidade. Surge, antes, de um desejo de coerência estética, simbólica e emocional. Analogamente ao filósofo francês, nos tornamos curadores da própria narrativa visual, tentando fazer com que tudo combine com o novo roupão.
Como o marketing e a publicidade se apropriaram desse fenômeno?
Atualmente, somos constantemente expostos a realidades elevadas em redes sociais, vitrines online e conteúdos patrocinados que nos cercam com estímulos visuais impecáveis. Em segundos, um único post pode redefinir o que você considera bonito, atual, necessário. E, logo depois, seu repertório pessoal começa a parecer fora de tom.
Nesse sentido, o marketing bem-feito não vende apenas um produto — ele vende um novo padrão de referência. Um lifestyle. Um nível superior de pertencimento. Afinal, a publicidade compreende que o desejo não está no objeto em si, mas no efeito que ele provoca na sua percepção do todo.
Ou como diria o próprio David Ogilvy: “Não há vantagem em ser criativo se isso não vender o que você pretende vender.” No caso do efeito Diderot, vende-se muito mais do que um objeto — vende-se a ilusão de completude.
Por que comprar ativa nosso sistema de recompensa?
Segundo estudos publicados pela Harvard Business Review e reforçados por neurocientistas comportamentais como Antonio Damasio It is Kelly McGonigal, o ato de comprar ativa o sistema dopaminérgico do cérebro — o mesmo responsável pela sensação de prazer e antecipação da recompensa.
Ainda mais curioso: a sensação de prazer começa antes da compra, no momento em que decidimos o que queremos. Em seguida, ela se intensifica quando adicionamos ao carrinho, acompanhamos a entrega, recebemos a encomenda, abrimos a embalagem. Cada etapa aciona pequenas explosões de dopamina. Comprar, para muitos, torna-se um ritual emocional — uma forma de anestesia para frustrações cotidianas.
Contudo, essa mesma lógica emocional é o que torna o efeito Diderot tão eficaz (e perigoso). Não compramos porque precisamos. Compramos porque aquilo nos faz sentir mais alinhados com a imagem que idealizamos de nós mesmos.
O que isso revela sobre comportamento de consumo e branding?
Em branding, toda marca é, essencialmente, uma promessa simbólica. Quando se posiciona bem, ela passa a representar um conjunto de atributos que o consumidor deseja para si. Estética, status, inovação, rebeldia, exclusividade. Assim como o roupão de Diderot, marcas que se destacam provocam reavaliações silenciosas no consumidor: “Será que minha vida está à altura disso?”
E é aí que o marketing estratégico atua: ao gerar lacunas entre o que se tem e o que se deseja. Ao estimular o impulso de coerência com um novo nível. O branding eficaz entende que as pessoas não compram produtos. Compram a versão melhorada de si mesmas que acreditam acessar através deles.
Como usar o efeito Diderot com consciência?
Antes de tudo, entender o efeito Diderot é também compreender a raiz do seu impulso de consumo. A pergunta que se impõe não é “o que eu preciso?”, mas sim: “o que esse objeto está dizendo sobre mim e sobre o que quero parecer?”
Em suma, a compra consciente não é a ausência de desejo — é a presença de intenção. Afinal, não há problema em querer mais. O problema é querer sem saber por quê. Comprar por impulso é tentar decorar uma ausência com objetos. Comprar com intenção é lapidar, com sofisticação, a própria história que se deseja contar.
Afinal, você está no controle ou só está tentando combinar o roupão?
Essa é a pergunta que resume tudo. Porque, por trás do desejo, do carrinho cheio e da vitrine virtual, existe sempre uma busca por significado. A Publicidade e o marketing de verdade, aqueles que respeitam e valorizam a inteligência do consumidor, não manipulam — provocam. Mostra que o consumo pode ser mais do que preencher lacunas — pode ser sobre construir algo.
Portanto, quando o próximo desejo surgir, observe. Sinta. Reflita. É você que quer? Ou é o seu novo roupão pedindo coerência?
Aqui na Lui / Conceito Criativo entendemos o poder simbólico por trás de cada escolha. E é por isso que criamos e potencializamos marcas que provocam, constroem e elevam. Porque, em tempos de excesso visual, fazer sentido é mais raro do que chamar atenção. Ou seja, hora de pensar e agir diferente.

My talent is helping entrepreneurs create their brands It is websites professionals, to have their own lives and become increasingly stronger in the market. Creatively conceptualizing in an authentic way. Building new spaces in digital and physical channels. And executing strategic actions to marketing with IF THE to achieve results.